terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A nossa casa

A nossa casa tinha 2 assoalhadas.
Um quarto, uma sala, uma cozinha e uma casa-de-banho.

Como é que uma casa tão pequena pode trazer tantas memórias?
Como é que uma casa tão pequena  pode ter tanta influência na minha vida, ainda hoje?

Esta casa vai ter direito a várias memórias.
Tinha 4/5 anos quando nos mudamos para lá. Antes não tenho memória nenhuma especial das casas onde vivi. Em Luanda e em Sacavém. Só me lembro que o facto de nos termos mudado foi uma alegria...
Na altura eu só estava excitada com uma mudança. Mas a minha mãe e o meu irmão estavam tão felizes. Passou a ser uma alegria porque eles estavam mesmo muito felizes. O meu irmão tinha uns 12 anos a minha mãe uns 30.
Não gostavam de Sacavém e a mudança para uma casa em Lisboa era o paraíso.
A mim dava-me igual.
Hoje percebo porque estavam felizes e fico feliz também.

Do despeito, da raiva e da razão

Há um tempo atrás, 1 ano talvez, passei-me.
Escrevi uma mensagem horrível. Daquelas que nos ajuda a descarregar a raiva, na realidade a frustação. Pronto! Já disse!

Fiquei melhor? Nope!
Recebi de volta outra mensagem horrível. Arrasei. Chorei.
Parei. Pensei.
Resolvi que não queria ser aquilo...
Tenho exemplos positivos e exemplos menos positivos alguns até bastante maus.
Os exemplos maus são pessoas que nunca ultrapassaram a dor de corno, cotovelo, o que lhe queiram chamar. Mesmo depois de casadas com outros continuam ali a alimentar-se do que é mau. Perdem tempo a pensar "como é que eu o posso lixar agora". Usam os filhos para atingir quem já não conseguem atingir há muito tempo. Ridículas.Acho que têm falta de amor-próprio.
Os exemplos positivos lá estão. Podem não estar sempre fantásticas mas, pelo menos não se alimentam do mal dos outros. Não usam os filhos e estão calmas e em paz, interiormente. Na realidade, quem as magoou um dia permanecem ali.
Um exemplo disso: a minha mãe. Não esquece mas penso que perdoa. Nunca nos usou. Não sei se já atingiu um estádio superior às maldades da vida mas diria que está lá perto. Nunca tenho bem a certeza... Não sei o que a aflige durante a noite.

No dia seguinte. Chamei-o e pedi-lhe desculpa. Não quero ser uma pessoa assim... Não lhe disse para ir ser feliz com outra mas também não lhe desejo mal.
A mim interessa-me que eu esteja bem e que os que eu amo estejam bem e não que os outros não o estejam.
O mal dos outros não me faz feliz. De vez em quando vou lá, outra vez, ao buraco negro mas volto sempre. Sacudo-me. Levanto a cabeça. Procuro quem cá está para me fazer feliz.

As outras histórias, as dos exemplos negativos, repetem-se. Estão por todo o lado. Eu oiço-as e interiorizo: EU NÃO QUERO SER ASSIM.

Não quero ser uma santa. Quando alguma coisa, não grave, lhe corre menos bem sinto os cantos da boca levantarem-se num sorrisinho... Mas tenho conseguido. Que a luz me guie sempre nesse caminho e me dê paz no coração, sempre.